A Globo e a Endemol Shine Brasil anunciaram um novo acordo para desenvolver formatos de entretenimento em conjunto, já pensando na exportação para outros mercados. A parceria muda a lógica tradicional do setor: em vez de criar um programa só para o público brasileiro e depois tentar vendê-lo lá fora, as empresas vão planejar o potencial internacional desde o início de cada projeto.
Como vai funcionar a parceria
Pelo acordo, a Globo terá prioridade para exibir e explorar os novos formatos no Brasil, com distribuição possível na TV aberta, nos canais por assinatura e no Globoplay. A definição de onde cada produção vai circular dependerá do planejamento específico de cada projeto, o que dá flexibilidade ao grupo para decidir a melhor janela de exibição conforme o formato desenvolvido.
Já a venda internacional ficará a cargo da Endemol Shine Brasil, que vai usar a estrutura da Banijay Entertainment - rede que reúne mais de 170 selos de produção espalhados por 25 territórios. Essa escala é o principal trunfo da parceria: permite que um formato criado no Brasil chegue a produtoras locais em diferentes países, que então desenvolvem suas próprias versões adaptadas a cada mercado.
O que são propriedades intelectuais no entretenimento
O acordo tem como base a criação de propriedades intelectuais, conceito central na indústria de formatos de TV. Na prática, significa desenvolver conteúdos e marcas cujos direitos comerciais podem ser licenciados - o que permite vender não apenas um programa pronto, mas o conceito e a estrutura por trás dele, para que outras empresas produzam adaptações em seus próprios países. É o mesmo modelo que já sustenta franquias internacionais de grande alcance no mercado de entretenimento.
Um histórico de parceria que já deu certo
Globo e Endemol Shine Brasil não começam do zero. As duas companhias já trabalham juntas no licenciamento e na produção de atrações consolidadas no país, como Big Brother Brasil, The Masked Singer Brasil (que foi ao ar entre 2021 e 2025), Dança dos Famosos e The Wall. O novo acordo amplia essa relação, somando à base já existente a criação conjunta de formatos inéditos desde a concepção.
Para Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil, a união das expertises das duas empresas cria um ambiente propício para o desenvolvimento de conteúdos relevantes. Já Amauri Soares, diretor executivo dos Estúdios Globo, descreveu a iniciativa como mais um passo para transformar a casa em um polo de criação de propriedades intelectuais brasileiras com potencial de alcance global. Laurens Drillich, presidente da Endemol Shine Latino, reforçou que lançar produções originais na América Latina costuma ser um desafio, e vê na parceria uma chance de ampliar esse tipo de trabalho na região.
O que ainda não se sabe
O anúncio detalhou a divisão de responsabilidades entre as empresas, mas não revelou títulos específicos, datas de estreia ou quais formatos serão os primeiros a sair do papel. A expectativa do mercado agora é acompanhar os próximos passos dessa produção conjunta, que pode render à Globo um papel mais ativo na exportação de entretenimento brasileiro - um movimento que acompanha o interesse crescente de players internacionais por conteúdos originados em mercados emergentes, como Brasil, África e Índia.